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Utilidade
Pública |
Por motivo
de força maior somos obrigados a interromper a série de
reportagens sobre os principais cagódromos, do país, iniciada
anteriormente, quando apresentamos a ficha técnica de Governador
Valadares...
Pretendíamos
dar seqüência com BRASÍLIA, cuja decolagem, como é
sabido, exerce forte influência sobre o SISTEMA DIGESTIVO dos
pilotos.
Porém,
recebemos ameaças de diversas associações GUARDIÃS
DE NOSSOS VALORES CRISTÃOS , prometendo nos processar caso continuássemos
publicando material, considerado por elas, ofensivo à moral e
aos bons costumes.
A seguir
transcrevemos trecho de uma delas:
- “Se
Vs quiserem C**** NO MATO é problema de Vs.! Se quiserem publicar
indecências e obscenidades, é problema nosso.! Vão
todos à P.Q.P. seus F.D.P !!!.”
Respeitosamente,
UNIÃO DAS SENHORAS RELIGIOSAS
-FILIAL B.H.
O principal
motivo de nossa desistência ,porém, deve-se ao fato de
que nosso (com o perdão da palavra) ENVIADO especial, o famoso
PILOTO DE PROVAS DE CAGÓDROMOS , TONHÃO CHERNOBIL (108kg,
descalço e peladão) pediu demissão do cargo.
Tudo começou
quando Tonhão recebeu a incumbência de fazer a crítica
especializada do CAGÓDROMO DE BRASÍLIA, por ocasião
do último campeonato brasileiro de asa delta. Entusiasmado, Tonhão
para lá se dirigiu em ônibus leito dotado de TOALETE, e
serviço de bordo. Até a metade do percurso a viagem prosseguiu
tranqüilamente. Foi então que começaram os problemas.
Talvez porque tivesse exagerado um pouco nos SANDUÍCHES NATURAIS
servidos pela RODOMOÇA, ou talvez devido aos dois litros de TANG
sabor uva que bebeu, Tonhão precisou utilizar as dependências
sanitárias do veículo, no meio da noite. A partir daí,
as versões sobre o ocorrido são contraditórias.
O que se
sabe ao certo é que os passageiros entraram em PÂNICO e
o ônibus ficou desgovernado, quando Tonhão saiu da toalete.
O motorista, segundo testemunhas, foi visto dirigindo o ônibus
em ZIGUE-ZAGUE, com a cabeça para fora do veículo, o qual,
sem controle saiu da pista.
Alguns
passageiros afirmam ter ouvido uma forte EXPLOSÃO vindo da toalete
e acreditam que o ônibus deve ter colidido com um CAMINHÃO
LIMPA FOSSA, devido ao odor nauseabundo que se alastrou.
Felizmente,
ninguém ficou ferido e, exceto náuseas e tonturas, a viagem
prosseguiu sem maiores transtornos até Brasília, após
a troca de ônibus.
Foi em
Brasília que os problemas começaram a se complicar..
Devido
às peripécias e ao atraso da viagem, Tonhão chegou
um pouco abatido além de faminto à ESTAÇÃO
RODOVIÁRIA da Capital da República.
Tonhão,
como se sabe, não é propriamente um “GOURMET”
dos mais exigentes. Em matéria de comida, não é
de muitas sutilezas.
Tonhão
é mais chegado na QUANTIDADE.
A estação
rodoviária de Brasília, por outro lado, está longe
de ser considerada o principal “POINT GASTRONÔMICO”da
cidade. Suas barraquinhas de FAST FOOD NORDESTINO não chegam
a competir com os restaurantes badalados da Capital, onde os políticos
costumam reunir-se à noite, com amigos e secretárias para
solucionar os problemas mais urgentes de nosso país.
Mas, estou
me desviando do assunto...
Vendo aquela
quantidade de IGUARIAS E QUITUTES exposta nas barracas, Tonhão
começou a salivar compulsivamente, indeciso entre tantas opções.Acabou
optando por obedecer a seqüência natural das barracas e dar
uma “BELISCADINHA” em cada uma.
Começou
com três daqueles famosos CHURRASQUINHOS-DE-GATO no espeto, rolados
na farofa de mandioca, acompanhados por duas doses de STEINHEGGER para
recuperar o ânimo. Um pouco mais refeito, partiu para beliscar
na barraca de ACARAJÉ, iguaria que até então jamais
havia comido. Tonhão desconhecia por completo que este quitute
é basicamente feito de PASTA DE FEIJÃO, frita no dendê.
Não que isto fizesse qualquer diferença para Tonhão,
a esta altura babando de expectativa olhando o bolinho chiar no óleo
fervente.
O primeiro
complicador veio quando a baiana perguntou se Tonhão queria o
“bichinho” QUENTE.-
“Se
é frito tem que servir quente, é lógico!”
responde Tonhão.
A baiana,
então, de sacanagem taca 150g de PIMENTA-DA-BOA no bolinho, entrega
a Tonhão e se afasta prudentemente uns dois metros, para ver
no que vai dar a coisa.
Bem, seja
devido às três “BRANQUINHAS” que Tonhão
bebeu num trago só enquanto aguardava, seja por ter as paredes
do estômago revestidas de AMIANTO, o fato é que Tonhão
nem piscou.
Pelo contrário,
lambeu os dedos e pediu mais cinco acarajés Enquanto esperava
tomou dois CONHAQUES DE ALCATRÃO. De sobremesa beliscou quatro
paçocas de amendoim, dois doces de batata roxa, regados com duas
doses de FOGO PAULISTA.
Para terminar,
um licorzinho (LICOR DE OVOS DUBAR) e outro acarajé apimentado
em comemoração à entrada desta fina iguaria no
seu currículo gastronômico.
Até
esta altura Tonhão ainda não se preocupava com a SAÍDA
desta iguaria de seu CURRÍCULO.
Devidamente
reanimado, embora um tanto afetado pela PORÇÃO LÍQUIDA
de seu lanchinho, Tonhão decide de imediato dar seqüência
à missão que o havia levado à Brasília.
Aí
veio o segundo complicador: Brasília como se sabe, é um
caldeirão de tipos humanos e sotaques regionais.
Já
enrolando a língua, sem mencionar as idéias, Tonhão
começa indagar aos transeuntes onde fica o cagódromo de
Brasília.
Com seu
leve sotaque do interior paulista, fica difícil, porém,
para Tonhão descobrir onde os “tar dos piloto de asa derta
faz as necessidade”.
Tonhão
decide facilitar a comunicação:
- “Onde
os home que voa faz as C**** deles?”
- “Ah,
já entendi!”, responde um paraíba solícito,
“é ali!” e aponta para o CONGRESSO NACIONAL.
Naturalmente
se referia aos políticos que só sabem fazer isso, além
de voar para baixo e para cima `as custas da gente .
Sem se
dar conta do mal entendido, Tonhão se dirige para lá,
com o estômago dando os primeiros SINAIS DE ALERTA e as pernas
recebendo sinais embaralhados do cérebro.
O problema
é que, em Brasília tudo é distante embora pareça
perto. Uma caminhada dessas levaria cerca de 40 minutos para uma pessoa
normal andando em linha reta. No estado em que Tonhão se encontrava,
porém, a distância foi coberta em 88 minutos, devido à
dificuldade em conseguir que ambas as pernas caminhassem NUMA SÓ
DIREÇÃO. Tudo isso apesar da enorme urgência causada
por seu aparelho digestivo, agora em fase de ALERTA MÁXIMO emitindo
fortes estampidos e sinais de desastre iminente, a ponto de assustar
as pessoas na rua.
Tonhão
foi visto pela última vez, entrando no Congresso Nacional. Depois
seguiram-se os trágicos eventos alardeados pelas principais manchetes
do dia seguinte: “ATENTADO DESTRÓI SANITÁRIO DO
CONGRESSO”, “DRAMA E DESESPERO NA CAPITAL” “MAR
DE LAMA NO CONGRESSO NACIONAL”.
Embora
esta última manchete não cause mais surpresa a ninguém
por ser um fato corriqueiro em Brasília, pela primeira vez não
se tratava apenas de uma FORÇA DE EXPRESSÃO mas da coisa
real mesmo, já que nossos ilustres parlamentares ficaram de fato
ATOLADOS NO LODO até o pescoço. Já Tonhão
permaneceu detido e incomunicável durante uma semana até
que sua ligação com o vôo livre e os fatos ficassem
devidamente esclarecidos.
Isto explica,
talvez, o porque da desorganização e falta de apoio observados
durante o Campeonato Brasileiro de Asa Delta .
Segundo
as autoridades todos os recursos disponíveis estavam empenhados
em debelar o estado de calamidade que assolou o Congresso Nacional.
Desiludido
com os lamentáveis episódios do qual foi protagonista,
Tonhão pediu DEMISSÃO do cargo de piloto-de-provas-de-cagódromos
e passou a viajar exclusivamente de avião, sem utilizar o toalete,
por medida de segurança.
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